O Arbitragemcoimbra obteve mais uma entrevista de grande nível,fruto de muito trabalho e empenho pela nobre causa da arbitragem.
Desta vez escolhemos outra vertente da arbitragem,assim,optámos por efectuar uma grande entrevista a um observador estimado e admirado pelos árbitros da LPFP,pela sua isenção,rigor e competência a desempenhar a complicada função de observador de árbitros.
Escolhemos desta vez António Soares Pinto uma excelente pessoa no seio de arbitragem e um exemplo de competência nas suas funções reconhecido por toda a comissão de arbitragem da LPFP.
Quem conhece Soares Pinto sabe que está sempre pronto a ajudar seja quem for,sendo uma pessoa de conhecimentos infindáveis,nomeadamente a nível das leis do jogo e pessoa com cultura geral acima da média,por isso é um dos observadores e elemento da comissão de apoio técnica do Conselho de Arbitragem mais estimados aqui em Coimbra.
Soares Pinto prontamente acedeu ao nosso pedido e aqui fica a sua fenomenal entrevista;
Como surgiu o Soares Pinto na arbitragem?
SP-Depois de vários anos a jogar futebol, primeiro nas camadas jovens da AAC e posteriormente nos distritais (Pereirense e Vilanovense) e tendo em 1986 acabado (aos 28 anos) este meu ciclo como jogador de futebol, devido a uma lesão meniscal, pretendi continuar ligado à modalidade, pois gostava bastante de futebol. Tinha um convite para treinador das camadas jovens do Vilanovense, onde tinha terminado a carreira, mas não tinha essa vocação e tive conhecimento que iria decorrer um curso de árbitro, pelo que de imediato me inscrevi. Durante os catorze anos que fui sénior, aprendi a respeitar os árbitros, como atesta o facto de não ter levado qualquer cartão vermelho, mas apenas amarelos, fruto da posição que ocupava (defesa central), pelo que achei que poderia ser mais um nesta difícil classe.
Levei o curso de candidato tão a sério, intervindo bastante, que por vezes o saudoso Sr. Marques Bom, no final da aula me fazia baterias de perguntas e eu geralmente acertava-as todas.
Este meu curso de candidatos, levado tão a sério, fez com que fosse convidado para a equipa de um árbitro de 3ª categoria nacional, que pretendia um fiscal de linha (assim chamado na altura), pois o seu anterior colega tinha acabado também de subir aos campeonatos nacionais.
Não conheço mais nenhuma situação idêntica, isto é um candidato fazer parte efectiva da equipa de arbitragem da 3ª categoria nacional.
Esse árbitro que confiou em mim, foi o Carlos Dias, que na altura
(1986) já tinha bastantes anos de arbitragem e curiosamente a
primeira vez que vesti o equipamento de árbitro foi no jogo da 3ª
categoria nacional entre as equipas do Tondela e do Belmonte.
Segundo testemunho do falecido director do CA AFC sr. Armando
Pires, sai-me muito bem.
Durante quantas épocas o Soares Pinto esteve
ao mais alto nível?
SP-Depois do Carlos Dias ter deixado a arbitragem, fui convidado pelo Armando Portulez para fazer parte da sua equipa, entretanto na 2ª categoria nacional. No final dessa época o Armando Portulez subiu à 1ª categoria e fiz parte da equipa dele durante três anos, tendo-me estreado na 1ª categoria nacional num PENAFIEL – GIL VICENTE.
Ao fim de três anos na sua equipa e ao mesmo tempo apitando no distrital, fiquei em primeiro lugar e subi à 3ª categoria nacional, Como fiquei em primeiro lugar apitei a final da Taça AFC entre as equipas do Águias e do Lorvanense. Anteriormente já tinha sido o primeiro classificado como árbitro da 2ª categoria regional, pelo que tinha também apitado a final do (extinto) campeonato distrital da 3ª divisão, entre as equipas do S. Mamede e da Andorinha.
Na 3ª categoria nacional estive 9 épocas, tendo ainda pelo meio prestado provas para a 2ª categoria nacional, tendo sido aprovado, mas nunca tendo ingressado nesse quadro, tendo sido prejudicado por motivos que não quero recordar, mas cuja face mais visível tem andado nos tribunais.
Em 2000, com 42 anos desci de categoria (com os dois testes de 100 pontos) e fazendo cerca de 3000 metros no cooper, portanto com as minhas capacidades físicas intactas, fruto do trabalho semanal, que fazia com um preparador físico, pagando, juntamente com os restantes árbitros que treinavam, do meu bolso a esse profissional de educação física.
Desci e acatei as regras do jogo, pois os 42 anos já não levavam a
nada.
Qual o sentimento que teve nos tempos
seguintes ao abandono das suas funções como
árbitro?
SP-Nos primeiros tempos, notava a falta de ser árbitro, de cheirar a relva e o pó dos muitos pelados que existiam, mas aprendi a combater essa falta, pois de imediato fui convidado pelo Conselho de Arbitragem, presidido pelo Sr. Miranda Dias, para fazer parte da Comissão de Apoio Técnico, o que aceitei de bom grado e onde ainda hoje me encontro, ensinando alguma da minha experiência de 14 anos, sem qualquer dispensa ao longo dos anos.
Por este facto tenho o curso de Monitor da FPF e o curso de
Formação Inicial de Formadores do IEFP.
Optar pela função de observador, o que o
motivou?
SP-Pelo mesmo Conselho de Arbitragem fui convidado para observador, o que aceitei, pelo meu amor à arbitragem e porque já estava na CAT era uma maneira de estar sempre actualizado.
Depois de um ano com observador do quadro distrital, fiquei em primeiro lugar, fiz provas e subi aos quadros da Federação. Devo dizer que quando prestei provas para observador da FPF, desliguei-me temporariamente da Comissão Técnica por motivos compreensivos.
Depois de dois anos na FPF (segunda categoria), subi à primeira
categoria e ingressei na Liga Portuguesa de Futebol Profissional,
onde me mantenho à 7 época.
É considerado por vários árbitros da LPFP um
observador justo e honesto e que todos gostam. Como
comenta?
SP-Como em toda a minha vida, particular, profissional e de desportista, tento ser o mais justo e honesto possível, pelo que faço o relatório de observação também numa vertente pedagógica, apontando os erros, como uma causa natural num jogo de futebol, mas ao mesmo tempo como um factor de melhoria, pois errar é humano.
Já por várias vezes ao observar um árbitro se colocou na posição dele em certos lances de jogo dando-lhe o benefício da dúvida?
SP-É claro que por algumas vezes,
tenho que dar o beneficio da duvida, isto é, se eu tenho duvidas a
vários metros de distância, concerteza que o árbitro mais perto do
acontecimento terá decidido bem. Quando tenho a certeza do lapso
descrevo-o.
Relativamente a nível distrital como
interpreta a má opinião de vários árbitros acerca de alguns
observadores?
SP-É natural que no quadro distrital, existem uns observadores melhores do que outros, mas todos procuram ser justos.
Nós na Comissão Técnica passamos a “mensagem” igual a todos e pretendemos que a sua visão seja uniforme.
Pessoalmente tenho uma excelente opinião dos observadores distritais, até porque os mais fracos têm-se auto afastado.
A opinião da maior parte dos árbitros é que, quando sobem é por
mérito seu, mas quando descem e por causa dos observadores, mas eu
só queria lembrar que sobem e descem com as notas dos
observadores.
Acha que deve haver um maior afastamento de
relações entre o observador e o árbitro?
SP-Não concordo com o afastamento entre o árbitro e observador, pois estão na mesma modalidade, de certeza que ambos gostam da arbitragem e cada um faz o seu trabalho.
Deve é cada um fazer o seu trabalho o mais sério possível.
Na Liga já aconteceram reuniões no final do jogo entre o árbitro e o observador e não alteravam a opinião (e nota) do observador.
A nível distrital será o observador capaz de separar a amizade com o árbitro no momento da observação?
SP-O nível dos observadores também se mede por esse factor, pelo que acredito, que os melhores separam a amizade e outros que terão mais dificuldades em o fazer e também por isso têm ambições limitadas.
Para quando o Soares Pinto presidente do Conselho de Arbitragem da AFC?
SP-Ao longo dos anos tenho sido abordado para fazer parte da direcção do Conselho de Arbitragem, mas tenho sido recusado pelo facto da minha vocação ser a formação, área que pretendo continuar a fazer e não estar num gabinete como director.
Fui Presidente do Núcleo de Árbitros de Soure, desde o seu início e
até ao ano passado (7 anos), pelo que no futuro poderei fazer parte
do CA, mas presentemente não me estou a ver nessas
funções.
Que mensagem gostaria de deixar aos árbitros
mais jovens e a todos os nossos leitores?
SP-Aos árbitros deixar uma palavra de apreço pela coragem de o ser, mas ao mesmo tempo dizer que é uma função digna, pelo que devem estar nesta modalidade com dignidade, trabalhando de modo a atingiram os seus objectivos, pelo que devem frequentar os seus Núcleos e assistindo às palestras do Conselho de Arbitragem e assim acabarão por ter os frutos desse trabalho.
Aos leitores que não são árbitros, gostaria que respeitassem os árbitros, pois estes são um elemento essencial no futebol, sem adeptos e movidos apenas pela paixão da arbitragem.
Obrigado ao Soares Pinto por esta brilhante entrevista e que continue a dignificar a arbitragem com toda a sua sabedoria e seriedade.
Obrigado
adm
Para acederem ao currículo de Soares Pinto cliquem no link em baixo:




Comentários